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Maior sinergia entre empresas, governo e academia pode elevar a competitividade de células e módulos

  • grupomotaservicos
  • 27 de jul. de 2020
  • 2 min de leitura

Para pesquisadores da PUCRS, Brasil necessita de ação coordenada de longo prazo para reforçar ainda mais a produção doméstica

Por Ricardo Casarin

A indústria brasileira de células e módulos fotovoltaicos precisa de um planejamento coordenado de longo prazo que envolva empresas, governo e academia, para ampliar ainda mais a competitividade em relação aos equipamentos importados. Essa é a avaliação dos coordenadores do Núcleo de Tecnologia em Energia Solar (NT-Solar) da Escola de Ciências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Adriano Moehlecke e Izete Zanesco. 

“Uma interação transparente entre empresas, governo e universidade e centros de pesquisa pode ser a base de sustentabilidade do crescimento do mercado fotovoltaico no Brasil, permitindo que a sociedade seja beneficiada pelos resultados”, disse Izete, durante webinar. 

A pesquisadora entende que o país deve se inspirar em exemplos internacionais de sucesso e adaptá-los para a realidade brasileira. “Na China, esses atores trabalharam de forma coerente e o planejamento feito pelo governo levou anos para atingir os objetivos. As estratégias têm que ser claras e de longo prazo.”

Moehlecke destacou que sem esse planejamento, é impossível desenvolver módulos a preços competitivos no país. “É difícil a produção no Brasil, por isso temos que trabalhar com ações organizadas. Se não houver política de estado, atuando junto com empresas e universidades, não há como atingir nunca o preço dos módulos da China.”

“São necessárias ações do governo para que empresários se sintam em condições de instalar uma planta. Isso quer dizer ações concatenadas de financiamento, pesquisa e metas de longo prazo. Simplesmente a iniciativa privada fazer o movimento é difícil. Sem estratégia, deixamos os empresários e a sociedade na mão”, assinalou o pesquisador.

“Pensando no médio e longo prazo, pode ser que o mercado cresça ainda mais, o que pode sustentar o desenvolvimento de plantas no Brasil”, disse Moehlecke. “Temos que pensar em maneiras de incentivar a indústria nacional, mas sem onerar o consumidor e travar a presença de fabricantes internacionais.”

Izete acrescentou que o crescimento de mercado pode impulsionar outros setores. “Vejo como um fator positivo, que pode gerar um terreno mais fértil para a implementação de plantas. Somos um povo criativo, nos falta organização, mas podemos superar isso.”

Durante o webinar, o presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), Rodrigo Sauaia, ressaltou que o mais próximo que existe no Brasil de um programa de incentivo a indústria de células e módulos fotovoltaicos é o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), que, não foi formulado especificamente pensando no setor.

“Ele pode ser aplicado a indústria fotovoltaica. Nosso desafio junto aos fabricantes, desde a fundação da ABSOLAR, tem sido buscar uma adequação desse programa para incorporar todas as matérias-primas e maquinários envolvidos na produção de módulos no Brasil”, explicou o dirigente.

“Mercado e academia já fizeram sua parte nesse mapeamento e agora depende de o governo fazer essa atualização. Se isso não acontecer, continuaremos com todo esse potencial produtivo não aproveitado.”


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